Frio. O medo traz frio.
Espio a avenida e vejo o tédio. Alguns carros e faróis lisérgicos que me atordoam às 3h e pouco da manhã. Acendi o último cigarro, bebi suco (meu fígado não mais suporta etilismos) e senti o ácido da laranja revirando meu estômago.
Começo a brincar de contar faróis, transeuntes bêbados ou travestis que atravessam a avenida. São poucos e raros, então decido voltar ao frio.
O ruído dos ponteiros me emputece de tal forma que pareço enlouquecer. Decido quebrar o relógio em estilo canastrão enquanto faço poses ao espelho. Lixo.
Silêncio.
Após cigarros amassados e bebidas ácidas, meu corpo pede bem mais do que isso. Vou ao banheiro e choro copiosamente enquanto analiso o melhor ângulo no espelho. Hoje meu perfil está péssimo e as lágrimas parecem jatos de desodorante. Tiro a roupa e sento no vaso sanitário. Durante alguns segundos olho o óbvio e remôo antigas canções infantis. Percebo que já é hora de um banho morno quando meus mamilos estão tensos e minhas coxas contraídas. Cantarolo as tais antigas e relembro a última semana do resto de todos os tempos.Ensaboo meus braços com a fúria dos tufões. Tento relaxar minhas pernas e sinto todo o desejo queimando novamente.
Preciso apagar.
Preciso esquecer.
Desisto da toalha e volto a ser aquecida pelo frio. Volto à janela e recomeço a contagem. Os faróis esquentam a madrugada. Torço para esquentar o olhar de algum voyer insone esta noite...
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