domingo, 25 de janeiro de 2009

Balada para Beatriz

Cai a noite e ainda penso em ti. Não que tu mereças sequer um segundo de sono perdido, mas o cheiro do teu corpo ainda está preso ao meu. Ontem decidi que não mais faria parte desse submundo sentimental que me ofereceste por 4 meses. Não mais tragarei cada substância que dele foi extraído e que arruinaram a minha vida. Não mais.

Você, Beatriz, é ainda a mulher mais linda que já transitou pelo meu quarto e pelos meus sonhos. Talvez tenha tido com você o melhor sexo que um macho pudesse querer. Teu estremecer na cama a cada orgamo fez eu acreditar em uma vida não-plástica, onde a lacuna entre um cigarro e outro poderia ser chamada de felicidade. De resto, rastejei implorando bem mais do que isso. Queria ter em minhas mãos teu coração, e não somente teus seios. Talvez eu tenha sido apenas um membro que satisfez teus desejos mais lunáticos e desconcertantes. Talvez eu tenha sido um gozo, um motivo para outro cigarro, não sei. Eu poderia ter sido qualquer motivo para tu acreditares que a vida valia a pena. Mas não fui.

Preferiste me matar aos poucos com teu veneno lascivo.

Hoje, Beatriz, cai a noite e me pego pensando em formas de te matar. Penso no meu luto como uma catarse merecida e ordinariamente planejada. Em cada curva do teu corpo imagino vinho tinto derramado, línguas insandecidas, gemidos de plenitude. Vinho tingido de sangue bordô, artesanalmente tatuando teu cadáver. Penso em formas de assim o fazê-lo, penso em métricas e rimas para preencher teu atestado de óbito. De resto, Beatriz, resta a cinza, a carne podre, o nada.

Por fim, minha querida, quero que saibas que jamais pensarei em outra mulher como assim fiz por ti. Jamais tamanho ódio e desprezo assumirão papel superlativo em minha vida. Jamais.

Espero que tua cama esteja quente o suficiente para te proteger de ti mesma.

Descanse em paz.

Pedro

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