Caro Pedro,
Estou excitada com cada palavra de tua carta. Saber que minha morte te causa prazer tornou minha noite mais interessante.
De fato, não tenho a consonância poética de teus versos. Tenho o veneno que te embala por horas de prazer solitário e um pouco de bebida. Saber que desenhas com vinho o mapa de minhas curvas cadavéricas fez com que sentisse tesão pela leitura.
Minha cama quente jaz ocupada por outro, mais caloroso que tu nos momentos de gozo e gemidos. Me contorço com teu choro e brindo cada lágrima com orgasmos ruidosos que acordam a todos nas redondezas.
Amado, o mundo que me ofereceste era de vidro. Te ofertei sangue, calor e diamantes. Infelizmente não soubes prestigiar meu banquete.
Agora, repenso o mundo que deixei de viver estando ao teu lado. Creio que merecias mais do que um simples adultério. Penso em alternativas mais furtivas para teu lento sofrimento: talvez meu veneno devesse ter sido fatal.
Enquanto aprimoro formas de te fazer morrer aos poucos, alimento meus deleites sem mais pensar em ti. Nunca mais.
Que teu fim seja morno, ácido e vagarosamente dolorido.
Tua B
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2 comentários:
Nossa, magnifico! Conforme li teu texto, fiquei com a sensação de observar a cena descrita, cada detalhe. Muito forte, encantadoramente forte.
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