Seu moço, não tenha medo. Sou homem simples, sou homem honesto. Peço ao senhor que me escute um só minuto, talvez cinco ou pouco mais...
"Vim aqui atrás de abrigo, precisado de comida, de dinheiro e atenção. Percorri todo o sertão, cortei cana no engenho e fiz a minha oração. Cheguei agora, moço amigo, e só tenho aqui comigo este singelo tostão. Dele terei água, terei farinha, dignidade e um pedaço de pão. O mais difícil, o pior de toda situação, é correr mundo sozinho, sem amor e sem direção. Saí de casa tão cedo, ainda sentia medo, mas precisava de alguma resolução - seja ela do diabo ou do santo de devoção.
O que se sucede, seu moço, é que homem ainda novo nada tem de abrigo ou pão. Tenho ofício aprendido com meu pai de criação. Sei cuidar de terra e bicho, honro minha obrigação. O que sei, seu moço, agora, é que homem senta e chora na hora da humilhação.
Só lhe peço que escute essa minha situação. Nada tenho além dos braços, só esperança no coração.
Via a seca, vi a morte, passei fome em provação. Corri mundo atrás de um norte, esperando solução.
Se lhe incomodo, senhor seu moço, peço apenas o seu perdão. Sou homem sofrido, com sentimento sentido -precisava dividir consigo esta minha condição"
Agora já vou indo, buscar alguma ocupação. Procurar outro moço amigo, que escute um homem sofrido, e que possa estender-lhe a mão. Já vou indo, senhor seu moço, obrigado pela atenção.
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