sábado, 19 de setembro de 2009

Salve o 20 de setembro

Buenas tardes, gaudérios do meu pampa,

Véspera do 20 de setembro, o precursor da liberdade. Acampamento Farroupilha, pilcha e botas, churrasco e bom chimarrão (preferi ficar em casa arrumando meu guarda-roupas).

Ontem na ZH saiu um artigo de um paulista que mora em São Borja, RS " O churrasco e os gaúchos". Um prato cheio ( ou um espeto cheio) para os gaudérios trucidarem o cidadão por tanta "ignorância regional". Abaixo, o texto:

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2657660.xml

Sem maiores delongas, já que a chaleira chia e o amargo vai cevando, penso que as reações a este cidadão cinza perdido na pampa pobre passaram dos limites.Muitos mails chegaram à redação de ZH defendendo o nosso churrasco, porém poucos abstraíram o verdadeiro recado desta "parábola do espeto".

É sabido que tenho São Paulo como a cidade do meu futuro,e não foram seus verdes pagos que me cativaram tanto...ao lado de tanta fumaça, concreto e caos urbanos, vi uma população batalhadora, trabalhadora, moderna, gentil ao receber os gaudérios dos pampas que tantos "tchês" e bairrismos levam para o Sudeste Brasileiro. Enquanto discutimos a patente do melhor churrasco e do mais lindo pôr-do-sol, habitamos com a precariedade da cultura e com a falta de incentivo nas artes em geral em nosso solo farroupilha. Resta sermos os melhores assadores do Brasil? Nas reações à "parábola do espeto", fica clara a realidade de um povo que não aceita as naturais limitação de sua terra natal. Poa é legal, tem rock de qualidade, Feira do Livro, avanços na pesquisa e ensino, qualidade de vida e...

E?

Claro que esqueci muitas coisas, mas não posso me orgulhar de uma revolução falida e de um pedaço de carne assada enquanto grupos teatrais perdem suas sedes. Atores voltam a trabalhar em lojas de departamentos. Produtores culturais devem aluguéis (pois prefeituras atrasam pagamentos) e cantores espalham Currículos nos escritórios da cidade. E os artistas do interior do estado, então? Bom, isso seria uma dissertação á parte.

Não consigo.Bah, desculpa, mas não consigo.

Orgulho-me dos meus "tchês", do meu sotaque, da pesquisa que tanto me trouxe o orgulho pelo HCPA e pela UFRGS, mas não posso concordar que somos o futuro do Brasil. Futuro sem cultura? Como?

Falta um pouco de humildade. Os facões na ponte da Azenha não nos trouxeram a independência. Nossa identidade é ímpar, dela me orgulho, contudo não nos pode servir de argumentos passionais para a indiferença ao descaso cultural em uma capital tão, tão...ao sul do Brasil.

Claro, este artigo foi apenas a ponta da lança que possibilitou-me compartilhar com vocês minha tristeza a este descaso cultural. Afinal, churrasco e chimarrão pode dar samba, não é? ( e ainda cinema, teatro, educação e cultura..)

(Se minha teoria tem furos, já levanto o primeiro: nossa governadora é paulista. Porém, vejamos, os eleitores são daqui dos pagos...)

Pobre leitor de ZH: saiu da paulicéia desvairada e veio para o pampa. Convive com a bucólica rotina gaudéria e pode matear tranquilo ao som da milonga no fim da tarde, com o sol poente...sortudo, não? mas é paulista, coitado...

Realmente, morar naquele inferno do Sudeste e ver que o mundo existe além da churrasqueira deve ser muito traumatizante.
Fica a reflexão. E sirvam nossas façanhas, de modelo à toda terra....

Lici,
Salve 20 de setembro.

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